A opinião mais geral era que convinha re-enviar para Lisboa os generaes. Os Snrs. Passos José, Visconde de Beire, e Visconde d'Alcobaça, tinham os mais sinceros desejos de que elles re-embarcassem, e lhes não succedesse incommodo algum. As ordens mais terminantes foram dadas para se apromptar um barco que os conduzisse ao vapor.
O não apparecimento do barco, e a muita demora que houve na lingoeta a vêr se dos vapores, ou de algum navio, vinha escaler, suscitou a alguns populares a lembrança de serem conduzidos ao castello de S. João da Foz do Douro os illustres generaes. Então o proprio Duque vendo que a exaltação dos bons cidadãos hia subindo de ponto, conveio em que nada se podia fazer mais acertado do que seguir o brado popular. Patriotas distinctos, e chefes de fabricas continuaram a fazer esforços para que o Duque re-embarcasse, e não fosse para o castello. Baldados esforços! porque não appareceu barco ou escaler. Se alguem tivesse declarado aos Snrs. Passos José, Visconde de Beire, e Visconde d'Alcobaça, que apromptava o barco, ou que o havia na proximidade, teriam estes cavalheiros feito todas as diligencias para que elles embarcassem, embora perdessem a vida; porque nessa noite não só esses tres illustres cidadãos, mas muitos outros patriotas Portuenses deram a prova mais cabal,{28} de que sabiam affrontar a morte, quando tratam de cumprir os seus deveres...
Durante todo o transito, o Snr. José Passos desenvolveu a sua costumada coragem, mostrou-se digno irmão do corajoso e intrepido Passos Manoel; e patenteou o mais decidido interesse pelo Duque. O Snr. Passos José já tinha visto em época não mui remota, armas levantadas, bayonnetas apontadas contra o peito, e não deixou por isso de cumprir o seu dever na praia de Gaya, e praça de D. Pedro.
Os prêsos foram conduzidos sem o maior incommodo até o castello da Foz. Louvor aos patriotas Portuenses que mostraram que, em generosidade e tolerancia, não são inferiores aos Parisienses. No nosso paiz ha muito que a pena de morte por delictos politicos se reputa extincta. Costumamos marchar sempre na vanguarda do Exercito da liberdade e civilisação.
A indisposição contra o Duque provinha principalmente de haver sido ministro com os Cabraes.
Os patriotas deixaram evadir os Snrs. D. Manoel Alva, Antonio de Lacerda, Barros, e outros.
No dia seguinte (10) o Governador Civil interino Corte Real, propunha á Camara Municipal, reunida em vereação extraordinaria, a nomeação d'uma Junta Provisoria do Governo Supremo do Reino, como se fizera em 24 d'Agosto de 1820.
Foram eleitos para a Junta:—Presidente, Conde das Antas Vice-Presidente, José da Silva Passos—Vogaes, Antonio Dias d'Oliveira—Sebastião d'Almeida{29} e Brito—Justino Ferreira Pinto Basto—Conde de Rezende—Barão de Lordello—Antonio Luiz de Seabra, vogal encarregado das repartições civis—Francisco de Paula Lobo d'Avila, vogal encarregado das repartições de guerra e marinha.
Os Snrs. Dias d'Oliveira, Barão de Lordello, e Conde de Rezende, não acceitaram a nomeação, apesar de sympathisarem com a causa popular.
O Snr. Conde de Rezende, como official do Exercito, prestou mui valiosos serviços.