No desempenho desta repartição, especialmente depois do aprisionamento da esquadra, foi o Snr. José Passos poderosamente coadjuvado pelos seus illustres collegas, e pelos distinctissimos patriotas os Snrs. Manoel da Silva Passos, Joaquim Antonio d'Aguiar, Marquez de Loulé, Manoel de Castro Pereira, Antonio Augusto Teixeira de Vasconcellos, Alvaro das Povoas, José da Costa Sousa Pinto Basto, Augusto Ferreira Pinto Basto, José Pedro de Barros Lima, Dr. Rezende, Damazio, Cunha Vasconcellos, Bernardino Coelho Soares de Moura, General Guedes, Barão do Almargem, Alheira, Rebocho, José de Vasconcellos, Antonio Cesar, Abreu Castello Branco, Fevereiro, Parada, e alguns outros que a Junta julgou conveniente chamar aos seus conselhos e conferencias, ou encarregar d'alguma commissão, ou da redacção d'alguns papeis; porque os desejos de todos os membros da Junta nunca foram outros senão desempenhar com acerto, e á satisfação de todos, a missão de que fôra incumbida, e fazer a felicidade da nação.

As respostas ás notas dos agentes dos governos estrangeiros eram examinadas, discutidas, e approvadas pela Junta, e por os cavalheiros que ella julgava necessario ouvir.{34}

É publico que o manifesto de 8 de Dezembro de 1846, e o protesto de 1 de Junho de 1847, foram redigidos pelo Snr. Manoel da Silva Passos, mas discutidos, emendados, e approvados pela Junta, por o seu author, e mais cavalheiros que assistiram ás respectivas sessões.

O Snr. José Passos votou contra a concessão do armisticio—pela sahida da expedição, commandada pelo General em Chefe Conde das Antas; e pela não acceitação dos quatro artigos do protocolo na sessão de 5 de Junho de 1847. Erro ou acerto, todos os homens de bem lhe fazem a justiça de que votou assim, porque a sua convicção era que nisso servia a revolução e o seu paiz.

Averiguamos que pelas repartições a cargo do Snr. José Passos não se expediram portarias sobre objectos da competencia da Junta, sem serem ordenadas por ella, e assignadas pela totalidade ou maioria dos membros que faziam vencimento para se ellas passarem. As portarias de expediente, e as que versavam sobre objectos pouco importantes, eram assignadas só pelo encarregado da repartição competente. O mesmo se poderá affirmar a respeito das outras repartições.

Todas as vezes que o Casal, Saldanha, e Hespanhoes se aproximavam das linhas, vimos os Snrs. Passos Manoel, e Passos José, apparecerem entre os primeiros nas trincheiras e lugares do fogo, como tambem o faziam os outros membros da Junta, e o povo Portuense, para quem um dia de fogo, ou aproximação{35} d'inimigo, era um dia de festa.—Tambem os encontramos a rondar muitas vezes a cidade.

Entre os actos da Junta, dignos dos mais subidos louvores, merece mencionar-se a submissão dos realistas á bandeira nacional arvorada no Porto no famoso dia 9 d'Outubro de 1846. Para se elle conseguir prestaram valiosos serviços os Snrs. Povoas, Cesar de Vasconcellos, Bernardino, Marquez de Loulé, Guedes, Passos Manoel, Sá da Bandeira, Alvo Brandão, Abreu Castello Branco, Antonio Augusto, Visconde d'Azenha, Sebastião de Carapéços, Manoel Vaz Pinto Guedes Bacellar, Dr. João Alves de Moura, Lemos de Condeixa, Faria Pinto, Chichorro, Garrido, Rebocho, Pato, Teixeira, Coelho de Mello e Mesquita, Pinto da Cunha, e tantos outros cavalheiros patriotas, e officiaes, cujos nomes muito sentimos aqui não publicar.

Não houve nada de transaccional da parte da Junta com os realistas além da portaria assignada pelo Snr. Seabra, impressa nos jornaes da época, e no opusculo do Snr. Antonio Augusto Teixeira de Vasconcellos==Succinta narração das circumstancias que precederam e seguiram a união dos realistas insurgentes com a Junta do Porto.==

Abstemos-nos de fallar das operações militares, e dos valiosos serviços dos generaes, officiaes, soldados, voluntarios, e guardas nacionaes—porque esse objecto terá o seu lugar nos apontamentos biographicos do benemerito General em Chefe do Exercito Nacional, e mui desinteressado patriota o Snr. Conde das Antas, cuja{36} dedicação, lealdade, e serviços á causa popular, não podem esquecer aos bons patriotas.

A Junta merece muitos elogios pelas acertadas medidas que adoptou para se fazer o desarmamento do exercito nacional. Diz-se que ella insistira em que o exercito passasse todo armado para a obediencia das authoridades da Rainha. Se assim se tivesse feito, muito lucraria o Estado. O desarmamento depois da convenção de Gramido, é um dos actos que mais honra o partido progressista, o exercito, e o povo do Porto.