[1] N. B. Os números das Oitavas saõ relativos ao 3.^o Canto, de que saõ extrahidas, &c.
+CXIX.+
Tu só, tu puro Amor, com força crua,
Que os corações humanos tanto obriga,
Déste causa á molesta morte sua,
Como se fora perfida inimiga.
Se dizem, fero Amor, que a sede tua,
Nem com lagrimas tristes se mitiga,
He porque queres aspero, e tyrano,
Tuas aras banhar em sangue humano.
+CXX.+
Estavas, linda Ignez, posta em socego,
De teus annos colhendo doce fruto,
Naquelle engano da alma, lédo, e cego,
Que a fortuna naõ deixa durar muito;
Nos saudosos campos do Mondego,
De teus formosos olhos nunca enxuto,
Aos montes ensinando, e ás hervinhas,
O nome que no peito escripto tinhas.
+CXXI.+
Do teu Principe alli te respondiam
As lembranças que na alma lhe moravam;
Que sempre ante seus olhos te traziam,
Quando dos teus formosos se apartavam;
De noite em doces sonhos que mentiam,
De dia em pensamentos que voavam;
E quanto em fim cuidava, e quanto via,
Eram tudo memorias de alegria.
+CXXII.+
De outras bellas Senhoras, e Princezas,
Os desejados thalamos engeita;
Que tudo em fim, tu puro Amor, desprezas,
Quando hum gesto suave te sujeita.
Vendo estas namoradas estranhezas
O velho pai sisudo, que respeita
O murmurar do povo, e a phantasia
Do filho, que casar-se naõ queria: