Prazeres, socios meus, e meus tyrannos,
Esta alma, que sedenta em si não coube,
No abysmo vos sumio dos Desenganos.

Deos… oh Deos! quando a morte a luz me roube,
Ganhe hum momento o que perdêrão annos,
Saiba morrer o que viver não souve.

Bocage.

* * * * *

*SONETO.*

De peito impenetravel sempre ao susto,
Lédo entre as armas, a folfar no p'rigo,
Ó França, teu magnanimo inimigo,
Por timbre teu não triunfou sem custo.

Ardendo em gloria o coração robusto,
Onde teve o troféo, teve o jazigo:
Nelson venceo, venceo por uso antigo;
Mas da victoria foi desconto injusto.

Bem que nadante a Gallia em rubro lago,
(Domando a morte quem seus brios doma)
Crê reparar com isto immenso estrago!

Ah! donde um Nelson cahe, logo outro assoma,
Assim,de Heróes privando-te Carthago,
Heróes fervião no teu seio, ó Roma.

Bocage.