Conferio-me esse dom quem té no insecto
Provê, do que lhe cumpre, a tenue vida.
Deixando influxos meus no casto alvergue,
Onde Beneficencia e Paz convivem,
Acompanhar-te quiz ao vasto Emporio
De Lysia, do Universo, á Grão Cidade,
Que espelha os Torreões no vitreo Téjo,
Donde sagradas Leis despede ao Ganges.
O Globo he puro aqui, e aqui parece
Estar inda na Infancia a Natureza,
Bella, serena, candida, innocente:
Principe amado, imitador dos Numes,
Ao Público Baixel menêa o leme;
Numéra os dias seus por Dons, por Graças,
E o Mérito sem susto encara o Throno:
Se o gravame do Sceptro acaso inclina,
He sobre os hombros de Ministros puros,
Dignos do alto esplendor, que sahe da escolha.
Hum delles, cujo nome he caro aos justos,
Que tem, que exerce o Ministerio santo
De velar sobre o público Repouso,
Que encarcéra, agrilhôa, opprime o vicio,
O contagio dos máos aos bons evita,
E em piedoso Recinto abriga, instrue
A Puericia, que em flor dispõe ao fructo,
Luceno, o Zelador dos sãos costumes,
Pai do Infortunio, da Sciencia amigo,
Guarida vos promette, exponde, exponde
Ao Ministro exemplar, meu claro Alumno,
A vossa condição: vereis descer-lhe
Dos olhos Paternaes amavel pranto,
Proveitoso, efficaz, não pranto esteril,
Que momentaneas sensações produzem,
E o Mérito infeliz, qual vírão, deixão.
Em Luceno o favor segue a piedade,
Mortal, que os Immortaes sem custo imita,
E o bem, só porque he bem, desenha, opéra.
Eia, vinde: eu vos guio aos bem fazejos
Lares seus, Lares meus; sereis ditosas,
Oh Sciencia! Oh Penuria: os Ceos o ordenão.
*SCENA II.*
O Genio da Nação, e as mesmas.
O Genio da Nação.
Os Ceos o ordenão, sim, vai, guia, oh Deosa,
Essa illustre Infeliz, e a mesma Prole
Ao Magistrado eximio, ao Grande, ao Justo;
Cessem queixumes, esperanças folguem.
Ide, o Genio de Lysia, eu que dos Deoses
Tive alta commissão de olhar por ella,
De engrandecer-lhe, de affinar-lhe a Gloria,
E honralla de opulencia incorruptivel;
Eu, que espontaneo dera o gráo de Nume
Por este, que exercito, augusto emprêgo
De escudar Lysia co' pavêz dos Fados,
Oh Penuria! oh Sciencia! Eu vos abono
Do Ministro sem par, favor, e asylo.
Sciencia.
O Ceo por ti se exprime: o Ceo não mente;
Oraculo de Jove, eu te obedeço:
Vejo sorrir-se ao longe amigos Fados;
Guia-me, ó Deosa.
Hospitalidade.
Guío-te á ventura. (vão-se.)