XXVI
Então, cheio de raiva, aperta o dente,
E na gostosa, feminil masmorra,
Alargando-lhe as pernas novamente,
Com estrondosos ais encaixa a porra:
Ella, que já no corpo o fogo sente
Do marsapo, lhe diz: «Queres que eu morra?
Tu não vês que me engasgo, e que estou rouca,
Porque o cruel tezão me chega á bocca?
XXVII
«Ah! deixa-me tomar um breve alento,
Primeiro que rendida e morta caia…»
Mas elle, que na foda é um jumento,
Não tem dó da mulher, que já desmaia:
Sentindo ser chegado o fim do intento,
Do ranhoso licor lhe innunda a saia;
Porque dentro do vaso não cabia
A torrente, que rapida corria.
XXVIII
De gosto o vil caxorro então se baba,
E vendo que a mulher calada fica,
«Consola-te (exclamou) que já se acaba
Esta fome voraz da minha pica.»
E com muita risada então se gaba
De lhe ter esfollado a roxa crica;
Mas ella grita, ardendo-lhe o sabugo:
«Ora que casasse eu com um verdugo!
XXIX
«Fóra, fóra caxorro, não te aturo
Que me feres as bordas do coninho!»
E com desembaraço um tezo, e duro
Bofetão lhe arrumou pelo focinho:
Tomou em tom de graça o monstro escuro
A affrontosa pancada, e com carinho
Disse para a mulher: «Brincas comigo?
Pois torno-te a foder, por teu castigo.»