Principia o banquete, que constava
De dois gatos, achados n'um monturo.
E de raspas de corno, de que usava
Em logar de pimenta o preto impuro:
Em sujo frasco ali se divisava
Turva agua-pé; fatias de pão duro
Pela mesa decrepita espalhadas
A fraca vida perdem ás dentadas.
XXII
Depois de ter o esposo o bucho farto,
Abrasado de amor na ardente chamma,
Foge com leves passos para o quarto,
Ao collo conduzindo a bella dama:
Pelas ceroulas o voraz lagarto
A genital enxundia já derrama;
Só por ver da consorte o gesto lindo
Inda antes de foder já se está vindo!
XXIII
Jazia o velho thalamo n'um canto
Onde de pulgas esquadrão persiste,
Para theatro ser do afflicto pranto
Que havia derramar a esposa triste:
Oh noute de terror, noute de espanto,
Que das fodas crueis o estrago viste,
Permitte que com metrica harmonia
Patente ponha tudo á luz do dia.
XXIV
Ergue-lhe a saia o renegado amante,
Estira-se a consorte agil, e prompta;
E elle a setta carnal no mesmo instante
Ao parrameiro misero lhe aponta:
Co'um só beijo do membro palpitante
Ficou subitamente a moça tonta,
E julgou (tanto em fogo ardia o nabo!)
Que encerrava entre as pernas o diabo.
XXV
Prosegue o desalmado; mas a esposa
Que não pode aturar-lhe a dura estaca,
Dando voltas ao cú muito chorosa
Com geito o membralhão das bordas sacca:
Elle irado lhe diz, com voz queixosa:
«Não és uma mulher como uma vacca?
Porque fazes traições, quando te empurro
O mastro? quando vês que gemo, e zurro?»