XV

A foda começada ao meio dia
Teve limite pelas seis da tarde:
Veiu saltando a nympha de alegria,
E da sordida acção fazendo alarde:
O bom consorte, que risonha a via,
Lhe diz: «Estás coráda! O ceo te guarde;
Bem boa alpistre ao passaro te coube!
Ora dize, menina, a que te soube?»

XVI

«Cale-se, tolo» (a puta descarada
Grita n'um tom raivoso, e lhe rezinga)
O rei dos cornos a cerviz pesada
Entre os hombros encolhe, e não respinga:
E o courão, da pergunta confiada,
Outra vez com o cafre, e mil se vinga,
Até que elle, faltando-lhe a semente,
Tira-lhe a mama, e foge de repente.

XVII

Deserta por temor d'esfalfamento,
Deserta por temer que o couro o mate:
Ella então de suspiros enche o vento,
E faz alvorotar todo o Surrate:
Vão procural-o de cipaes um cento,
Trouxeram-lhe a cavallo o tal saguate;
Ella o vae receber, e o grão Nababo
Pasmou d'isto, e quiz ver este diabo.

XVIII

Pouco tempo aturou de novo em casa
O cão, querendo logo a pelle forra,
Pois a puta co'a crica toda em braza,
Nem queria comer, só queria porra:
Voou-lhe, qual falcão batendo a aza,
E o courão, sem achar quem a soccorra,
Em lagrimas banhada, acceza em furia,
Suspira de saudade, e de luxuria.