«Ah! se eu soubera (continúa o couro
Em torrentes de semen já nadando)
Se eu soubera que havia este thesouro
Ha que tempos me estava regalando!
Nem fidalguia, nem poder, nem ouro
Meu duro coração faria brando;
Lavára o cú, lavára o passarinho,
Mas só para foder c'o meu negrinho.

XI

«Mette mais, mette mais… Ah Dom Fulano!
Se o tivesses assim, de graça o tinhas!
Não vivêras em um perpetuo engano,
Pois vir-me-hia tambem quando te vinhas:
Mette mais, meu negrinho, anda, magano;
Chupa-me a lingua, meche nas mamminhas…
Morro de amor, desfaço-me em langonha…
Anda, não tenhas susto, nem vergonha.

XII

«Ha quem fuja de carne, ha quem não morra
Por tão bello, e dulcissimo trabalho?
Ha quem tenha outra idéa, ha quem discorra
Em cousa, que não seja de mangalho?
Tudo entre as mãos se me converte em porra,
Quanto vejo transforme-se em caralho:
Porra, e mais porra no verão, e no hynverno,
Porra até nas profundas do inferno!…

XIII

«Mette mais, mette mais (ia dizendo
A marafona, ao bruto, que suava,
E convulso fazia estrondo horrendo
Pelo rustico som com que fungava:)
Mette mais, mette mais que estou morrendo!…»
«Mim não tem mais!» O negro lhe tornava;
E triste exclama a bebada fodida:
«Não ha gosto perfeito n'esta vida!»

XIV

N'este comenos o cornaz marido,
O bode racional, veado humano,
Entrava pela camara atrevido
Como se entrasse n'um logar profano:
Mas vendo o preto em jogos de Cupido,
Eis sae logo, dizendo: «Arre magano!
Na minha cama! Estou como uma braza!
Mas, bagatella, tudo fica em casa.»