VI
Seus cristalinos, deleitosos braços,
Sempre abertos estão, não para amantes,
Mas para aquelles só, que, nada escassos,
Cofres lhe atulham de metaes brilhantes;
As niveas plantas, quando move os passos,
Vão pizando os tezões dos circumstantes;
E quando em ledo som de amores canta,
Faz-lhe a porra o compasso co'a garganta.
VII
Mas para castigar-lhe a vil cubiça
O vingativo Amor, como aggravado,
Fogo infernal no coração lhe atiça
Por um sordido cafre asselvajado;
Tendo-lhe visto a torrida linguiça
Mais extensa que os canos d'um telhado,
Louca de comichões a indigna dama
Salta n'elle, convida-o para a cama.
VIII
Eis o bruto se cossa de contente;
Vermelha febre sobe-lhe ao miolo;
Agarra na senhora, impaciente
D'erguer-lhe as fraldas, de provar-lhe o bolo:
Estira-a sobre o leito, e de repente
Quer do panno sacar o atroz mampolo:
Porém não necessita arrear cabos;
Lá vai o langotim com mil diabos.
IX
Levanta a tromba o rispido elephante,
A tromba, costumada a taes batalhas,
E apontando ao buraco palpitante,
Bate ali qual ariete nas muralhas:
Ella enganchando as pernas delirante,
«Meu negrinho (lhe diz) quão bem trabalhas!
Não ha porra melhor em todo o mundo!
Mette mais, mette mais que não tem fundo.