Suffocada ficou, a mãe corada;
Finda a partida, e mais do que medonha
Á noute começou da bofetada.
[V]
No canto de um venal salão de dança,
Ao som de uma rebeca desgrudada,
Olhos em alvo, a porra arrebitada,
Bocage, o folgazão, rostia o França:
Este, com mogigangas de creança,
Com a mão pelos evos encrespada,
Brandia sobre a roxa fronte alçada
Do assanhado porraz, que quer lambança:
Veterana se faz a mão bisonha;
Tanto a tempo menêa, e súa o bicho,
Que em Bocage o tezão vence a vergonha:
Quiz vir-se por luxuria, ou por capricho;
Mas em vez de acudir-lhe alva langonha
Rebenta-lhe do cú merdoso esguicho.
[VI]
Não lamentes, oh Nise, o teu estado;
Puta tem sido muita gente boa;
Putissimas fidalgas tem Lisboa,
Milhões de vezes putas teem reinado: