Dido foi puta, e puta d'um soldado;
Cleopatra por puta alcança a c'rôa;
Tu, Lucrecia, com toda a tua prôa,
O teu cono não passa por honrado:

Essa da Russia imperatriz famosa,
Que inda ha pouco morreu (diz a Gazeta)
Entre mil porras expirou vaidosa:

Todas no mundo dão a sua greta:
Não fiques pois, oh Nise, duvidosa
Que isto de Virgo e honra é tudo peta.

(D.)

[VII]

Tu, oh demente velho descarado,
Escandalo do sexo masculino,
Que por alta justiça do Destino
Tens o impotente membro decepado:

Tu, que em torpe furor incendiado
Soffres d'impia paixão ardor maligno,
E a consorte gentil, de que és indigno,
Entregas a infructifero castrado:

Tu, que tendo bebido o menstruo immundo,
Esse amor indiscreto te não gasta
D'impia mulher o orgulho furibundo:

Em castigo do vicio, que te arrasta,
Saiba a inclita Lysia, e todo o mundo
Que és vil por genio, que és cabrão, e basta!