A voraz porra as guelras encrespando
Arruma a focinheira, e entre gemidos
A moça treme, os olhos requebrando:
Como é inda boçal perde os sentidos;
Porém vai com tal ancia trabalhando,
Que os homens é que vem a ser fodidos.
[X]
Esquentado frisão, brutal masmarro
Girava em Santarem na pobre feira;
Eis que divisa ao longe em couva ceira
Seus bons irmãos seraphicos de barro:
O bruto, que arremeda um boi de carro
Na carranca feroz, parte á carreira,
Os sagrados bonecos escaqueira,
E arranca de ufania um longo escarro:
N'alma o sancto furor lhe arqueja, e berra;
Mas vós enchei-vos de intimo alvoroço,
Povos, que do burel soffreis a guerra:
Que dos bonzos de barro o vil destroço
E presagio talvez de irem por terra
Membrudos fradalhões de carne e osso!