Esse abysmo, esse Orco eterno
Não é filho da razão;
Os pavores da illusão
É que pariram o inferno:
Pelo sizo me governo,
Que louco e falso o presume;
Mas, se não creio esse lume,
Nem esse invento maldicto,
Por exp'riencia acredito
O inferno do Ciume.
II
Em vão prégador rançoso
Lá do pulpito vozêa,
Quando a triste imagem fêa
Traça do inferno horroroso:
É systema fabuloso,
Que á razão embota o gume;
Não, não ha Tartareo lume,
Que devore a humanidade:
Sabeis vós o que é verdade?
O inferno do Ciume.
Venha cá, sô Boticario
Venha cá, sô Boticario,
Vossê sabe em que se mette,
De tão rafado cadete
Sendo terceiro, está vario?
Advirta que é necessario
Reportar acções insanas;
Estude em fazer tisanas,
Algum purgante ligeiro,
Mas não seja alcoviteiro
Muito menos de sacanas.