P'ra que viva a cosinheira,
Que tão boas papas fez!
Confesso por esta vez
Que bem me sabe, e me cheira:
O Papa em sua cadeira
Vestido de estola e capa,
Não faz cousa tão guapa:
A cosinheira faz mais;
O Papa faz Cardeaes,
A cosinheira faz papas.
[Dialogo entre o Poeta, e o Tejo.]
Poeta.
Tejo, que tens, estás quedo?
Não banhas hoje esta praia?
De que o teu valor desmaia?
Tejo.
Eu t'o digo, mas segredo:
Confesso que tenho medo
Do teu ranchinho infernal.
Poeta.