[Pag. 116] — Soneto VI.
Veja-se em geral a respeito dos sonetos marcados com a lettra (D) o que acima dizemos no fim da nota á pag. 109.
O de que ora nos occupamos, tem sido tão constantemente havido como producção de Bocage, e é tão popular, e conhecido, que não poderiamos dispensar-nos de aqui o reproduzir. Mas pede a verdade que se diga que Manuel Maria foi inteiramente extranho a esta composição. Conforme o testemunho irrefragavel dos contemporaneos mais bem instruidos n'estas particularidades, o seu verdadeiro auctor foi João Vicente Pimentel Maldonado. É certo que ainda em vida de Bocage muitos lh'o attribuiram; porém elle nunca o reconheceu por seu: ao contrario, diz-se-nos que consultando-o alguem a esse respeito, respondera que lhe não agradava, mas que se o tivesse feito, em logar do verso
O teu cono não passa por honrado
teria dito
Não passa o cono teu por cono honrado.
Outros mais reparos fez, que o sujeito de quem houvemos esta anecdota não nos pode repetir, por lhe faltara reminiscencia de caso passado ha tantos annos.
Este soneto ha sido parodiado em diversos tempos, e com differentes fins. Poremos aqui o seguinte, feito sobre pensamento analogo, e que se diz ser de José Anselmo Corrêa Henriques: