Não lamentes, Alcino, o teu estado,
Corno tem sido muita gente boa;
Cornissimos fidalgos tem Lisboa,
Milhões de vezes cornos tem reinado:
Sicheu foi corno, e corno de um soldado;
Marco Antonio por corno perde a c'rôa;
Amphitrião com toda a sua prôa
Na Fabula não passa por honrado:
Um rei Fernando foi cabrão famoso
(Segundo a antiga lettra da gazeta)
E entre mil cornos expirou vaidoso:
Tudo no mundo é subjeito á greta:
Não fiques mais, Alcino, duvidoso
Que isto de ser corno é tudo peta.
[Pag. 117] — Soneto VII.
Nas «Poesias Satyricas ineditas do M.M.B. du Bocage, colligidas pelo professor A.M. do Couto» (Lisboa 1840), vem este soneto a pag. 28, e tem ahi o seguinte titulo: — A um musico velho chamado L.F. — Não alcançámos alguma outra indicação, nem mesmo vimos outras copias d'este soneto, com as quaes podessemos conferil-o.
[Pag. 118] — Soneto VIII.
Diz-se que este soneto fora escripto em Gôa, e dirigido a um D. Francisco de Almeida, fidalgo de raça mestiça, cuja indole e costumes o poeta quiz assim escarnecer. Derramou por todo elle vocabulos da lingua canarina, cuja explicação debalde se procurará nos diccionarios. Pessoa que suppomos bem informada, nos assegura que tambió quer dizer tabaco; — fuscó, peido; — gu, trampa, etc. Valha a verdade!
[Pag. 120 e 121] — Sonetos X e XI.
Como a historia da composição d'estes sonetos se encontre amplamente descripta na «Livraria Classica» (tomo XXIII), para aqui a transcreveremos, em obsequio aos leitores, que não tiverem á mão aquelles folhetos.