[Pag. 128] — Soneto XVIII.

É dirigido ao padre Domingos Caldas Barbosa (Lereno Selinuntino) no tempo das contendas com os Arcades (vejam-se para a historia d'esta guerra a: «Livraria Classica» tomo XXIII, e o «Estudo Litterario» no tomo VI da nova Edição das Poesias de Bocage a pag. 329 e seguintes).

Como em qualquer das duas obras, nos logares que deixamos apontados, se encontram varias poesias satyricas, com que os contendores e rivaes d'Elmano o brindaram, em desforra e retribuição de muitas, que elle lhes dirigira (as quaes tambem podem ler-se no tomo I. da citada edição de Bocage de paginas 341 a 363) parece-nos que os leitores nos haverão em graça que lhes completemos a collecção d'essas obras, dando-lhes incorporadas não só algumas das já impressas, que por circumstancias e motivos obvios se haviam publicado com suas lacunas, restabelecendo-as aqui na sua integra, mas tambem outras, de que por ventura não terão conhecimento. Ahi vão portanto em seguida todas as que conservamos desta especie.

[Soneto.]

Em quanto a rude plebe alvoroçada
Do rouco vate escuta a voz de mouro,
Que do peito inflammado sái d'estouro
Por estreito bocal desentoada:

Não cessa a cantilena acigarrada
Do vil insecto, do mordaz bisouro;
Que á larga se creou por entre o louro
De que a sabia Minerva está c'roada:

Em quanto o cego athêo, calvo da tinha,
Com parolas confunde alguns basbaques,
Psalmeando a amatoria ladainha:

Eu não me posso ter; cheio de achaques,
Cançado de lhe ouvir — «Bravo! Esta é minha!»
Cago sem me sentir, desando em traques.

(Anonymo.)

[Soneto.]