Lingua mordaz, infame, e maldizente
Lingua mordaz, infame, e maldizente,
Não ouses murmurar do bom prelado:
Inda que o vejas com Alcippe ao lado,
Amiga não será, será parente:
Geral da Ordem, prégador potente,
No jogo padre-mestre jubilado,
E tambem caloteiro descarado
Pode ser que o repute alguma gente:
E que te importa que fornique a moça?
Que pregue o evangelho por dinheiro?
Que em vez de andar a pé ande em carroça?
Talvez que n'isso seja um verdadeiro
Dos monges exemplar, da Serra d'Ossa,
Pois que dos monges é hoje o primeiro.
[Pag. 137] — Soneto XXVII.
Conforme a opinião de alguns, este soneto é do desembargador Domingos Monteiro d'Albuquerque e Amaral; — outros porém affirmam ser de Bocage. Os leitores assentarão o juizo que melhor lhes parecer.