Chegaram, segundo o costume, as visitas; D. Antonia mostrara-se todo o dia affabilissima comigo, tambem a condessa houve por bem mimosear-me com alguns dos seus mais amaveis sorrisos, e Carolina abraçou-me e beijou-me com extraordinaria affeição.

A tudo correspondi com sereno e melancholico aspecto: causava-me asco esse corrilho de Judas.

Ás dez e meia retiraram-se todos; D. Antonia disse estar incommodada, e foi-se metter no seu quarto; Claudio apparecera na sala e demorara-se instantes apenas, mostrando-se visivelmente inquieto; depois saira.

Á meia noite em ponto, desci do quarto; pulsava-me o coração com extraordinaria vehemencia; ia dando um grito, e deixando cair o castiçal, que levava na mão, ao deparar-se-me um vulto immovel no fundo da escada.

Felizmente logo o conheci: era Quiteria.

—Começa o enredo, disse-me ella em voz baixa; a condessa e a D. Carolina entraram agora mesmo.

—Estão cá? perguntei eu.

—Estão; fingiram que se iam embora; mas foram passear, voltaram, e metteram-se no quarto de D. Antonia. Lá está tambem a Maria do Rosario.

—O que farão ellas?

—Não sei, mas não tema. Aproveite este momento, que é favoravel. Deus a proteja, filha.