—Rezemos, rezemos, exclamou a condessa, caindo de joelhos; são visões que assaltam aquelle espirito bem-aventurado. É preciso que estejamos em oração, para que aquella santa vença o inimigo que a tenta.
D. Antonia caíu de joelhos, e a Maria do Rosario, que apparecera á porta, fez o mesmo, dando grandes murros no peito.
Eu olhava estupefacta para aquella scena burlesca.
Não querendo fazer-me reparada, affastei-me um pouco, e simulei que ajoelhava.
Afinal a baroneza caiu prostrada no canapé. Viera-lhe a espuma aos cantos da boca, como succedia ás pythonisas pagãs. A condessa levantou-se e disse a D. Antonia:
—Mande-lhe dar um caldo, que é sempre o que ella toma, depois d’estes extasis.
—Um caldo para a senhora baroneza, exclamou D. Antonia, voltando-se para Maria do Rosario.
E a Maria do Rosario repetiu, correndo pela escada abaixo:
—Um caldo para a senhora baroneza, que tem bisões.
D’ahi a pouco voltava trazendo uma chavena de caldo, e dirigia-se á baroneza.