—Esqueceu-se da sua promessa? perguntou Lucinda.

—Ainda se lembra d'ella? tornou Frederico amargamente.

Um relampago d'alegria illuminou os olhos da gentil senhora.

—Se lembro, tornou ella, sou uma credora inflexivel.

—Pois bem, respondeu Frederico, córando muito, e fazendo um esforço sobre si mesmo, deixe-me agradecer-lhe o ter feito a felicidade da minha existencia.

—Sim? tornou ella ironicamente. Então ama-a loucamente?

—Se a amo! tornou elle cravando os olhos ardentes na formosa menina que tinha diante de si, tanto que nem eu suppunha que se podia amar assim. Oh! mas é que tambem é uma creatura celestial, tão bella que os anjos a invejam.{34}

Lucinda mal podia soffrear o riso.

—E essa belleza, é provavelmente como a de Marilia, tornou ella, para a pintarem não bastam as tintas da terra, são necessarias as do céu. Por conseguinte nem ouso pedir-lhe que m'a descreva.

—Porque? Não a conhece! perguntou Frederico espantado.