D. Marianna, que, sentada no sophá, vestida,{67} enfeitada, e collocada na sombra, debalde esperava a promettida visita, correu ao jardim, ouvindo o grito, e já lá encontrou os criados.
Viu então o ladrão das gallinhas fugir por cima do muro, deixando os seus despojos no campo de batalha, Frederico empunhando os volateis, e junto d'elle Adelaide.
A tia ficou fula de colera, notando que sua sobrinha estava n'um rendez-vous, emquanto ella esperava debalde o seu. Era possivel mesmo que os dois não fizessem senão um.
—O que é isto? bradou ella. A menina com um homem no quintal!
—Minha senhora, disse Frederico abandonando as gallinhas, confesso que fomos culpados occultando a v. ex.ª os nossos amores, mas estamos a tempo de reparar essa culpa, porque tenho a honra de pedir a v. ex.ª a mão de sua sobrinha.
—O logar é improprio bastante, respondeu seccamente D. Marianna, queira portanto sair. E a menina recolha-se ao seu quarto e seja mais prudente.
Debalde a pobre tia pedia explicações a{68} Lucinda. Esta furiosa declarou-lhe que nada percebia, e no dia seguinte retirou-se para sua casa.
D'ahi a quinze dias recebia uma carta de Adelaide, a qual, como podem suppôr, ignorava tudo o que se passára.
A carta dizia o seguinte:
«Minha boa amiga.