—Minha senhora... balbuciou elle.

—Oh! chame-me Adelaide, tornou ella, apertando-lhe as mãos com impeto febril, e diga-me o seu nome para que os meus sonhos{66} o saibam, e mo venham repetir á noite, depois de eu adormecer balbuciando-o.

—Adelaide, que me enlouquece, bradou o mancebo com a cabeça em fogo.

—O seu nome, o seu nome!

—Frederico! murmurou elle e tão proximo d'ella, que os labios d'Adelaide pareceram aspirar essa palavra, assim que saiu da bocca do seu amado, como se temesse que a surprehendesse a brisa.

As arvores meneavam as suas folhudas copas impellidas pelo sopro da viração; a luz das estrellas tremia no ceu azul, e os seus pallidos raios, coando-se por entre os ramos, illuminavam frouxamente a alva fronte de Adelaide.

Subito soou um grito de mulher ancioso e dilacerante.

Frederico levantou-se d'um impeto, e correu para o sitio d'onde partia o brado; na escuridão topou um homem que fugia, estendeu as mãos e afferrou-se-lhe ao pescoço.

O resto sabem-n'o os leitores.