—Sim, senhor, respondeu uma das interpelladas, é meu pae.

—N'esse caso tem a bondade de lhe dizer que lhe trago uma carta do seu amigo de Lisboa o sr. Antonio Ricardo de Sousa.

—Ó paesinho, tornou a rapariga, voltando-se{76} para dentro, está aqui um senhor official, que o procura.

—Manda subir, Adelaide.

Ao mesmo tempo abriu-se a porta, e o nosso amigo, depois de ter atado á aldrava a redea do rocinante (o arrieiro chamava-lhe redea, com o mesmo direito com que o governo chama barão a um lapuz opulento), subiu a escada, no patamar da qual encontrou o nosso Bernardo Guimarães, em chinellos de moiro, na mão um barrete conico, em fórma de apagador, e prompto a receber diplomaticamente a visita inesperada.

Antão bossenhoria traz-me uma carta do meu amigo Antonio Ricardo? Ora pois, muito estimo, muito estimo. Como está aquelle maganão?

—Menos mal!

—Elle d'antes padecia muito de callos!

—Ainda hoje.

—Ora bom, entre aqui para a sala... como se chama bossenhoria? Quero apresental-o a minhas filhas, a quem dei uma educação, que não a teem melhor as fidalgas de Lisboa! Como é a sua graça?{77}