—Eduardo Augusto d'Almeida Teixeira.

—Vá entrando, vá entrando que eu vou ler a carta do meu Antonio Ricardo.

Eduardo Teixeira entrou na sala, e achou-se em frente das duas pardas, que já tinha visto, e d'uma terceira, que estava sentada ao piano, bonita fallando em absoluto, e formosissima comparando-a com as outras. Lindos olhos pretos rasgados, um pouco morena, grande a bocca, mas não muito desgraciosa,—tal é o retrato da desalmada pianista.

Eduardo comprimentou-as; ellas responderam com um comprimento ceremonioso, e ficaram todos em silencio.

As raparigas olhavam para Eduardo, como olhariam para um objecto de curiosidade; e o nosso alfacinha, que não gostava de ser contemplado como se fosse um macaco de especie rarissima, ou um embaixador japonez, entendeu que devia sair d'aquella posição embaraçosa, lançando mão da primeira banalidade, que lhe occorresse. Lembrou-se que ao subir a escada tinha ouvido o La dona é mobile desfigurado com a maior bulha possivel pela pianista provinciana.{78}

Foi uma idéa salvadora! Eduardo, por conseguinte, puxou os punhos da camisa, torceu o bigode com toda a affabilidade, tossiu agradavelmente, esboçou no sorriso o prologo de uma fineza, e disse com o tom mais mellifluo que pôde encontrar:

—Minha senhora, eu assim que entrei n'esta casa, tive uma surpresa muito agradavel.

—Sim, então qual foi? tornou a martyrisadora de Verdi.

—Ouvi tocar admiravelmente no piano um trecho do Rigoletto.

As tres meninas olharam umas para as outras boquiabertas. Finalmente a pianista desfez provisoriamente o ponto d'admiração em que tinha transformado a cara, e exclamou: