As meninas da casa entretanto apoquentavam-n'o com perguntas ácerca de Lisboa, do casamento do rei, dos theatros, dos litteratos, emfim, de todas as cousas da capital, d'esse eldorado das donzellas pretenciosas das provincias.
—Então, diga-me uma cousa, sr. Teixeira, como ia vestida a rainha no dia do casamento?{86}
Eduardo, que em questões de toilettes femininos era perfeitamente um selvagem, e que demais estava saboreando com delicias uma colher d'arroz doce, respondeu com toda a serenidade:
—Ia vestida de verde, branco e escarlate.
—Uma noiva!
—Sim, minha senhora, trajava as côres italianas, para mostrar o affecto que tem á sua patria!
—Mas os jornaes não fallavam em tal cousa!
—Ora, os jornaes sabem lá o que dizem,—respondeu Eduardo cortando com a colher a questão, e um castello d'arroz doce, que se formára ao canto do prato,—os jornaes estão sempre pessimamente informados.
Ninguem ousou replicar; fallára o oraculo lisbonense, emmudeciam os profanos da provincia.
—Ó sr. Eduardo, exclamou a menina Adelaide, que era uma das pardas, já leu o D. Jayme?