—Já, sim, minha senhora; v. ex.ª tambem o leu, segundo vejo. É um bonito poema.{87}
—O que é isso do D. Jayme? perguntou o sr. Bernardo.
—O meu amigo nunca leu aquella sandice, observou o mestre de meninos em tom... de mestre de meninos, fez bem, fez bem; é um pessimo livro; tem um erro de grammatica, e meia cacophonia; e demais a mais é revoltantemente immoral, accrescentou elle, lançando um olhar terno para a mulher do seu amigo.
—O sr. Themudo deve ser muito enthusiasta da Historia da Imperatriz Porcina, observou Eduardo com a maior gravidade.
—Não desgosto, não desgosto; mas lá o D. Jayme, não presta para nada; e aquelle pateta do Castilho a elogial-o... Ora o Castilho sempre é homem, que quer ensinar as creanças com um methodo racional! Como se, para ensinar meninos, fosse necessario ser racional! Aqui estou eu para prova do contrario. Ensino os pequenos com a cartilha do mestre Ignacio, e no fim de quatro annos estão promptos. Eu cá sou assim.
—Diga-me uma cousa, sr. Teixeira, conhece o Thomaz Ribeiro? perguntou a pianista.
—Se conheço o Thomaz Ribeiro? Perfeitamente,{88} minha senhora, tornou Eduardo, que tinha adormecido quasi, ouvindo o discurso do sr. Themudo.
—Então diga-nos como é a physionomia do poeta?
—Cabellos louros, e olhos azues!
—Ah! é! logo vi que havia de ser assim, e o Julio Machado, conhece-o?