—Então, que lhe parecem as pianistas, exclamou o sr. Bernardo, sorvendo uma pitada, ha-as melhores em Lisboa?

—Qual historia! Suas filhas tocam admiravelmente! Se as levasse a Lisboa, haviam de ser muito admiradas.

—A Lisboa? Nada, isso é muito longe, lá{98} esteve agora o meu Dyonisio; por signal que hade estar a chegar. Elle é rapaz, pode ir; mas eu e a minha Belizaria, já estamos velhos para essas danças.

—É verdade, o mano Dyonisio temol-o cá um dia d'estes... muito se divertiu elle por lá provavelmente, observou a menina Adelaide com um suspiro.

—Deus queira que o Dyonisio se não esqueça de me trazer a musica, que lhe pedi. Ó sr. Eduardo quer ouvir a aria final da Lucia? perguntou a romantica Emilia.

—Pois não, minha senhora, com todo o gosto, respondeu Eduardo aproximando-se do piano.

—Como a musica exprime bem os sentimentos da alma! observou Emilia, quando o viu sentado ao pé de si—eu adoro as musicas tristes!

—Tambem eu, minha senhora, tambem eu.

—Acho prazer em derramar lagrimas, quando oiço algum trecho pathetico.

—Tambem eu, minha senhora, tambem eu.