—Suspendei! Dyonisio, sr. Eduardo, horror! Meu Deus, valei-me!
E desmaiou.
«Bravo!»—diria um espectador do theatro normal, enthusiasta da Dama de S. Tropez.
Eu e o leitor applaudimos silenciosamente, e vamos seguir os nossos dois heroes, que sairam pela janella, perdendo-se assim todo o effeito de uma saida solemne pela porta de fundo, cujos batentes de papelão se abrissem de par em par.
Dyonisio e Eduardo atravessaram o quintal silenciosos; chegando a uma portinha que deitava para a estrada, o sr. de Val-de-Camellos tirou uma chave que trazia na algibeira, abriu a porta, e os dois contendores sairam.
—O sangue de um de nós ha de ser hoje derramado, vociferou o illustre janota do Porto, com tetrica intonação.
—Está dito; mas, a proposito, parece-me{108} que não temos remedio senão jogar o sôcco; parque não temos armas, nem padrinhos, de sorte que o nosso duello tem todas as condições d'irregularidade.
—Ora diga-me uma cousa, tornou Dyonisio, descendo das regiões melodramaticas ao terreno das explicações prosaicas, isto não se poderia conciliar amigavelmente?
—Oh! homem, isso é impossivel, o senhor descompoz-me atrozmente, abusando da identidade do seu nome com o do irmão d'Emilia, e realmente eu não vim ao Minho para receber descomposturas.
—Oh! senhor, tenha paciencia, a Emilia gosta d'essas cousas, e eu não tive remedio senão fazer aquella scena. Eu não tinha intenção offensiva. Mas que relações tem o senhor com a rapariga?