—Muitos parabens, sr. Dyonisio, muitos parabens!

—Unica mulher, que me pode tornar feliz.

—Oh! sr. Dyonisio, não me commova!

—Adoro-a, senhor, adoro-a como a uma estrella, que reluz nas trevas do meu viver.

—Bravo, ia-me arrancando lagrimas.

—E tem um dote de vinte contos de reis! concluiu o homem do capote de camellão com sublime expressão d'enthusiasmo.

—Muito bem, sr. Dyonisio, muito bem. Permitta-me que o abrace. Que rasgos de sentimento! Commoveu-me profundamente. Foi o coração quem lhe dictou essas phrases enthusiasticas. Esse argumento dos vinte contos revela claramente a pureza dos seus sentimentos.{110} Ó patriarchal Dyonisio, cedo-vos Emilia. Não serei eu quem vá perturbar a felicidade conjugal, tão solidamente baseada. O amor, fugindo das grandes cidades, vem, segundo vejo, aninhar-se á sombra de vinte contos nos corações desinteressados dos jovens provincianos. Sr. Dyonisio Antunes de Val-de-Camellos, não servirei de obstaculo á sua felicidade. Adeus, seja venturoso!

—Oh! muito obrigado, generoso desconhecido! volveu Dyonisio, que estava decididamente infectado de romanticismo sombrio.

—Ámanhã parto para o Porto. Deixo-lhe o campo livre.

—Espero que me perdoe a involuntaria offensa.