—Não fallemos n'isso. O que lá vae, lá vae. Adeus.

—Adeus. Disponha do meu fraco prestimo.

Se os nossos dois amigos estivessem em Lisboa, tinham ido juntos a uma ceia no Matta, ceia, que (se elles fossem bem conhecedores dos costumes portuguezes em materia de duello) deveriam ter encommendado antes do desafio.{111}

Assim, Dyonisio embuçou-se simplesmente no capote de camellão, e voltou para a cama, onde resonou pacificamente o resto da noite, sonhando que tinha comprado, com o dote de Emilia, uma junta de bois, e dois pedaços de terra, em que semeára milho, obtendo uma colheita formidavel, e grangeando deste modo tal consideração em Santo Thyrso, que tinha sido nomeado por unanimidade de votos... juiz eleito.

Eduardo meteu-se na cama, aqueceu os pés, transpirou muito, e no outro dia estava quasi livre do defluxo teimoso, que o apoquentára tanto.

Apesar de ter tido a felicidade de se curar com rapidez, o nosso alferes, que era um rapaz prudente, jurou nunca mais ter namoro com raparigas romanticas em noites de novembro{112}

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V

Ainda que as intenções madrugadoras de Eduardo Teixeira fossem as mais sinceras deste mundo, passou segunda vez pelo desgosto de não assistir ao almoço da familia. O nosso alferes chegou a convencer-se de que o almoço em Santo Thyrso, como a tremenda nos conventos dos monges negros, era lá por alta noite.

Quando entrou na sala achou a menina Emilia sósinha sentada ao piano. O vestido branco, que tinha envergado apesar do intenso frio, o cabello muito de proposito em desalinho, as olheiras, que supponho tinham origem identica á das do Silvestre da Silva, de Camillo Castello{114} Branco, mostravam que Emilia se tinha caracterisado convenientemente para representar a ultima scena de um melodrama.