Quando viu Eduardo, levantou-se, e caminhou a encontral-o, hirta e vagarosa. O joven official estacou á porta pasmado.

—Qual dos dois morreu? perguntou ella solemne e lugubremente.

—Fui eu, minha senhora!

Seguiu-se um curto silencio.

—O senhor está zombando de mim? tornou Emilia.

—Não, minha senhora, estou respondendo á pergunta de v. ex.ª Com effeito, morri para o seu amor, sr.ª D. Emilia. Interroguei o meu coração, achei-o frio de mais para sentir uma d'essas paixões ardentes, que v. ex.ª deve inspirar. Não acontece o mesmo com Dyonisio. Minha senhora, vim descobrir um vulcão em Santo Thyrso, desmentindo por esta fórma a geographia. Esse Vesuvio desconhecido é o coração do sr. de Val-de-Camellos... Hontem os discursos de Dyonisio, se não me aqueceram os pés, que tinha muito frios, como v. ex.ª sabe, pelo menos aqueceram-me... o coração.{115} Na lava candente, que brotou espontanea do peito d'aquelle joven, accendi eu o lume prompto da generosidade. Entendi que devia aconselhal-a a visitar essa cratera de paixão. Asseguro-lhe que se ha de abrazar. Digo-lh'o eu.

—Não zombe tanto de mim, sr. Eduardo. Se tive ligeiro namoro com esse rapaz, o amor verdadeiro, que sinto agora, dissipou completamente esse frivolo galanteio.

—Mas, minha senhora, v. ex.ª deve fazer a felicidade d'um Dyonisio. Attenda, por amor de Deus, á influencia dos nomes nos destinos dos individuos. O nome de Dyonisio dá logo a conhecer que o possuidor deve ter um caracter patriarchal. Ora casem, casem, meus pombinhos, tenham muitos filhos, e sejam muito felizes.

—Assim me despresa, sabendo que o amo!

—Não, minha senhora, não creia tal. Hei de ser sempre o maior dos seus admiradores.