[14] Mémoire sur le pays d’Ophir, oú les flottes de Salomon alloient chercher de l’or, nas Mémoires de littérature de l’Académie royale des inscriptions et belles-lettres, tom. XXX, pag. 83 a 93, (Paris, 1764). Este paiz de Ophir tem uma terrivel parecença com as ilhas de Chryse e de Argyra, e do Sol e dos Homens e das Mulheres que apparecem nos mappas conjecturaes. N’alguns mappas Ophir tambem apparece como ilha. Querer determinal-o não será querer tomar muito ao pé da letra as indicações vagas da Biblia?
[15] A idéa adoptada na edade média, que vinha da antiguidade e que durou até ao seculo XVI, é a das duas Ethiopias de Homero, a que fica entre os dois Nilos, e a que se liga com os Mauritanos. S. João Damasceno, dividindo os habitantes da terra segundo as areas dos ventos, dizia: «Ad Africum Ethiopes et occidentales Mauri, ad Favonium Herculis columnæ, etc.» De fide orthodoxa, tom. I, pag. 69. Apud Visconde de Santarem Essai sur l’histoire de la cosmographie, etc., tom. I, pag. 32. Assim é corrente que a baixa Ethiopia começa para os escriptores medievaes nas proximidades da Mauritania, quer dizer, pega com a Guiné primitiva, com a Guiné de Bethencourt. O titulo dos reis de Portugal mostra bem que Ethiopia quer dizer simplesmente Africa. Assim diz o titulo: Rei de Portugal e dos Algarves, d’aquem e d’além-mar em Africa... (Este Algarve na Africa era Ceuta e Tanger, etc.) senhor de Guiné (no sentido que esta palavra tomou depois dos descobrimentos) da conquista navegação e commercio da Ethiopia (Africa meridional e oriental) Arabia, Persia e India (tambem na significação da meia-edade, abrangendo a Asia Oriental). É curioso que um escriptor moderno, de grande merecimento, transcrevendo um trecho de um escriptor já do seculo XVII, em que se diz que um navio que ia para a Ethiopia foi levado pelas correntes para o Brazil, com isso muito se espanta. Não se lembra que a região da Ethiopia comprehendia até a Africa occidental que ficava para além da Guiné.
[16] Na primeira viagem, Colombo, chegando a Cuba, disse: Es cierto que esta es la Tierra-Firme, Diario de 1 de novembro. Na segunda viagem confirmou essa opinião, e fel-a jurar solemnemente pelos marinheiros a 12 de junho de 1494. Humboldt Histoire de la géographie du Nouveau Continent, tom. I, pag. 310, nota.
[17] Vejam-se no principio do segundo volume do magnifico livro de Humboldt as indicações relativas aos mappas d’esse tempo que separavam umas das outras as diversas porções da America.
[18] No seu tratado publicado em latim na edição Reich com o titulo De facie in orbe Lunæ, tom. IX, pag. 923.
[19] Sobre as differentes theorias relativas á fórma da terra veja-se o Essai sur l’histoire de la cosmographie, etc., tom. I, pag. 14, 223, 410, tom. II, pag. XV, XVII, 32, 252, 258, 10, LIX a LXI, 18, 26, 35, 94, 107, 215, etc., etc., tom. III, pag. 81, 102, 212, 223, 460, 499, etc.
[20] Santo Agostinho, S. João Chrysostomo, Lactancio, preconisaram a theoria da terra quadrada declarando-a conforme com o Evangelho, os mappas medievaes como o de Cosmas Indicopleustas do seculo VI, Gervais de Tilbury do seculo XIII, Nicolau d’Oresme do seculo XIV, Guilherme Fillastre do seculo XV. Umas vezes inscreviam-n’a no circulo formado pelos mares, outras vezes pelo contrario, a terra em si é redonda, mas a figura que está inscripta é quadrada.
[21] Note-se bem que este é que é o systema de Ptolomeu, o que predominava, apesar de tudo, nos espiritos mais esclarecidos. Pedro agora vae refutal-o, substituindo-lhe uma outra theoria scientifica, menos em desaccordo com as affirmações orthodoxas.
[22] Petri Alphonsi Judeo Christiani Dialogi, p. 15, apud. Visconde de Santarem, Essai sur l’histoire de la cosmographie, etc., tom. III, pag. 320 a 324.
[23] «Se as extremidades da Ethiopia nos offerecem figuras extranhas de homens e de animaes, pouco nos devemos espantar: é o effeito do excessivo calor que alli reina, porque a acção do fogo é maravilhosamente propria para fazer tomar ás partes exteriores de todos os corpos uma infinidade de configurações diversas.» (Plinio, Historia Natural, tom. V, cap. XXX.)