[113] Foi o duque de Medina-Sidonia que se offereceu para ir com as suas caravelas em perseguição dos portuguezes, e a 2 de maio de 1493 pediam os reis catholicos ao duque que as tivesse prestes, a 12 de junho e 27 de julho affiançavam a Colombo que não havia motivo para se desconfiar do rei de Portugal, doc. n.ºs 16, 50 e 54 publicados na Collecção de viagens e descobrimentos, citados pelo sr. Teixeira de Aragão a pag. 18 da sua Breve memoria sobre o descobrimento do Brazil.

[114] O trecho da Esmeralda é o seguinte: «Como no terceiro anno do vosso reinado do anno de Nosso Senhor de mil quatrocentos noventa e oito donde nos vossa alteza mandou descobrir a parte occidental, passando além do grande mar oceano, onde é achada e navegada uma tão grande terra firme com muitas grandes ilhas adjacentes a ella, que se estende a setenta graus de ladeza da linha equinocial contra o polo arctico.» Esmeralda liv. 2.º, cap. I, transcripto pelo sr. Teixeira de Aragão na sua Breve Noticia, etc., pag. 47. D’este trecho deduz-se que Duarte Pacheco foi mandado descobrir para o occidente em 1498, o que não faz senão confirmar o que temos dito, mas não que Duarte Pacheco descobriu o Brasil. Nem elle diz que achou e navegou essa terra, mas sim que essa terra é achada e navegada, e isto em 1505.

[115] Roteiro geral do globo, tom. XI, sec. 1.ª, pag. 2 (Lisboa 1839). Mouches, Les côtes du Brésil, sec. II, pag. 8 (Paris, 1864).

[116] N’uma das sessões do Instituto Historico Geographico do Brasil, o imperador D. Pedro II propoz como assumpto de discussão «se a descoberta do Brasil foi intencional ou devida ao acaso». Joaquim Norberto fez uma memoria interessante sustentando que a descoberta foi intencional, Machado de Oliveira fez uma memoria de uma futilidade inexcedivel e de uma grosseria imperdoavel que nem merece que d’ella nos occupemos, Gonçalves Dias sustentou com argumentos broncos, mas com vigor de estylo, mostrando-se muito talentoso e muito erudito, que a descoberta fôra occasional. Joaquim Norberto replicou e muitissimo bem. O unico argumento de algum peso que Gonçalves Dias apresentava era o da corrente equatorial que corre de léste para oeste. É esse exactamente o que o sr. Baldaque da Silva destróe technicamente e de um modo completo.

[117] Les côtes du Brésil, pag. 115, nota a.

[118] Ibid., pag. 12.

[119] Ibid., pag. 116, nota a.

[120] «Sahindo do dito Cabo Verde, esta terra jaz entre Oeste e Sudoeste, ventos principaes, e dista do dito Cabo Verde quatrocentas leguas». Carta de Portugal enviada ao rei D. Manuel ácerca da viagem e successo da India, traduzida da versão italiana pelo sr. Prospero Peragallo, e por este publicado com o texto italiano e annotado nas Memorias da commissão portugueza do centenario de Colombo. O trecho que citamos vem a pag. 9 in fine. Como se vê, estando a 400 leguas de distancia não a oeste, mas a oes-sudoeste a distancia do meridiano de Cabo Verde ao meridiano de Vera-Cruz não podia ser superior a 370 leguas. Pero Vaz de Caminha disséra-lhe: «Topamos algūus synaes de terra seendo da dita ilha (S. Nicolau de Cabo-Verde) segundo os pilotos diziam obra de VIᵉ Lx ou LXX legoas ᵉlc (670 ou 701 leguas)». Esta carta de Pero Vaz Caminha tem sido muitas vezes publicada. Fazemos o nosso extracto da memoria do sr. Aragão, onde vem nos documentos, pag. 66.

[121] A carta do jesuita Antonio de Sá escripta em hespanhol aos jesuitas da Bahia e datada de S. Vicente, 13 de junho de 1559 diz: «Un Indio que se llama Belchior está puesto en ayunar todos los dias que manda la Iglesia, y sin yo le hablar nada, preguntóme que le hiziese saber los dias de ayuno y cual no se comia carne, diciendome que antes que muriese Juan Ramallo que el se lo dezia y ayunaba todos los dias que la Iglesia manda.» O estudo a que nos referimos feito pelo sr. Candido Mendes de Almeida vem publicado na Revista trimensal do Instituto Historico Geographico do Brasil, e n’esse periodico vem tambem as memorias de Joaquim Norberto, Gonçalves Dias e Machado de Oliveira, a que atraz nos referimos.

[122] «ao qual monte alto, diz Pero Vaz de Caminha, o capitam poz o nome de monte pascoal e aa tera a tera de Vera-Cruz». Depois de ter entrado em communicação com os habitantes é que Pedro Alvares Cabral considerou a terra como uma ilha, e a denominou ilha de Vera Cruz.