Emquanto á colonisação, que foi motivada exactamente pela importancia da pesca do bacalhau, foi promovida por varias pessoas de Vianna do Minho, muito interessadas n’este negocio da Terra Nova, pelas muitas relações que tinham com os Açorianos. D’esta colonisação dá conta um interessante folheto publicado ha poucos annos, mas escripto no seculo XVI, que se intitula: Tratado das ilhas novas e descobrimento d’ellas e outras coisas feito por Francisco de Souza, feitor d’El-Rei Nosso Senhor, na capitania da cidade do Funchal da ilha da Madeira e natural da mesma ilha e assim de parte da nação portugueza que está em uma grande ilha, que n’ella foram ter no tempo da perdição das Espanhas, que ha trezentos e tantos annos em que reinou El-Rei Dom Rodrigo. Dos Portuguezes que foram de Vianna e das Ilhas dos Açores a povoar a Terra Nova do Bacalhau vae em sessenta annos, do que succedeu, o que adiante se trata. Anno do Senhor de 1570. Ponta Delgada, S. Miguel, Açores 1877.
É curiosa a mistura de lenda e de verdade que n’este titulo se encontra. Ao lado de uma colonisação perfeitamente authentica n’uma ilha certa é conhecida ainda a velha lenda da ilha das Sete Cidades colonisada pelos sete bispos, que fugiram da Peninsula com os seus fieis no tempo do rei Rodrigo!
[133] «Outros chamam-lhe, diz D. Manuel, terra nova ou novo mundo».
[134] Veja-se o estudo desenvolvido de Humboldt, que aliás não vê as coisas debaixo do nosso ponto de vista nas notas finaes do vol. V, da sua Histoire de la géographie, etc., da pag. 180 em diante.
[135] Recherches historiques, critiques et bibliographiques sur Améric Vespuce et ces voyages.—Paris, sem data.
[136] Veja-se a carta de mr. Letronne a Humboldt, publicada no vol. III, da sua Histoire de la géographie, etc., da pag. 119 em diante.
[137] Veja-se Humboldt, Histoire de la géographie, etc., tom. II, pag. 26 e segg. Falando do globo de João Schoner diz: «Figurou no globo o estreito no logar em que Colombo debalde o procurara.» No globo de Weimar (que tem a data de 1534) ha dois estreitos, um a 42° de latitude sul, e outro no isthmo de Panamá a 10° de latitude ao norte do Equador.
[138] «Se não tivessemos achado este estreito, diz Pigafetta, o capitão-general estava disposto a ir até 75 graus para o polo antarctico onde no verão não ha noite, ou muito pouca e da mesma maneira no inverno não ha luz do dia ou ha pouquissima.» Navegação e viagem que Fernando de Magalhães fez de Sevilha a Moluco no anno de 1519, pag. 61 da traducção ingleza de sir Stanley de Alderley, (Londres, 1874).