Ouve-me, Cezar. O povo quer uma vingança e uma victima! Que digo eu? uma? centenas, milhares! Existem as que o devem sêr, devem-se-lhe. Ignoras que na cidade se acoita um exercito de christãos? Não os conheces? Não te fallei, eu, tanta vez dos seus crimes e das suas infames cerimonias? das suas profecias segundo as quaes o mundo acabará pelo fôgo? O povo, instintivamente, odeia-os e suspeita d'elles. Ninguem os vê nos templos, no circo, nas corridas! Murmura contra ti e não fôste, tu, Cezar, nem eu, quem incendiou a cidade! Foram elles! É preziso dizêl-o. Viram-nos levando nas mãos as tochas incendiarias! O povo tem sêde de vingança? dá-lha. O povo quer circo, quer sangue? dá-lh'o! Conheces os culpados! manda!

PETRONIO a Marcos, aparte

A caça a Lygia.

PETRONIO

Coragem!

NÉRO, levantando as mãos ao ceu

Oh! Zeus, Appolo, Hera, Actréa, vós, todos, ó Deuses immortaes, porque nos não socorresteis? Que tinha feito essa bella Roma, a esses energumenos?

TIGELINO

Vinga-a!

VATINO