—Deixam-nos ou não nos deixam entrar a barra?
—Estão-me agora a perguntar se morreu alguem a bordo.
—Ora essa! Morto estou eu por me vêr em Massarellos. Querem vêr que ainda temos que ir dar com os ossos em Vigo? Com mil bombas! Era o que me faltava agora!
Mas não aconteceu o que o capitão receiava: do castello fizeram signal que a galera podia entrar, e foi com uma voz vibrante de enthusiasmo e de um prazer intenso que o capitão commandou a manobra.
A galera como um cavallo que obedece facilmente á pericia de um optimo cavalleiro, proejou a barra em meio das exclamações dos impacientes e saudosos passageiros.
A galera fundeou defronte de Massarellos.
No dia seguinte, já não havia alli senão parte da tripulação e um ou outro marinheiro que não tinha familia e que olhava para o cáes com repugnancia e com desdem.
As capoeiras em redor do tombadilho estavam despovoadas, a roda do leme reluzia ao sol, parada, sem movimento, as tampas enceradas da meia laranja abriam-se como as azas de uma enorme borboleta em repouso, e as mangueiras de linho cheias, retezadas, levavam o ar á camara e ao porão.
Um bello dia de agosto!