—Jesus! acudam!

E quando os passageiros correram ao tombadilho e a tripulação veiu saber o que succedera, o piloto, pallido e assustado, mandou colher todo o pano; podia vêr-se ao longe em meio das aguas, que faiscavam e transluziam os raios do sol, um ponto negro e que pouco a pouco parecia affastar-se, affastar-se...

Os dous escaleres da ré foram descidos ao mar, e dentro d'elles os mais robustos dos tripulantes.

—A modo que elle não estava bom! disse o homem do leme. Que eu só reparei n'elle quando o vi no ar...

—Deitem-lhe a boia! gritou o contra-mestre.

N'aquelle momento de anciedade, procurou-se a boia e não se encontrou.

O contra-mestre estava desesperado, as pragas mais violentas sahiam-lhe em borbotões por entre os dentes, que apertavam estreitamente o tubo fumoso do cachimbo.

O navio afrouxára a sua marcha, comtudo os escaleres ainda iam bastante longe do ponto negro que todos julgavam ser o capitão.

—Lá bom nadador é elle, dizia o contra-mestre, mas se ha tubarões assim! e reunia os dedos em pinha.

Estendia os braços, dependurava-se da grade da pôpa, e com gestos anciosos tentava animar os marinheiros dos escaleres.