—Força, rapazes!
No rosto de todos os passageiros lia-se um grande terror e uma pena profunda.
Era impossivel escapar. O capitão apesar de bom nadador já estava velho e cançado, depois os tubarões...
Os marinheiros contavam casos horrendos que haviam presenciado, e em que figuravam esses assanhados tigres do mar.
—Valha-nos o senhor de Mattosinhos! conclamavam n'um grito lancinante aquelles homens, que tantas vezes tinham luctado heroicamente contra as colericas sanhas da tempestade, e que adoravam o bondoso velho, o seu capitão.
O ponto negro ia-se distinguindo mais nitidamente: ás vezes afundava-se, outras vezes immergia-se; e emquanto os escaleres voavam, o contra-mestre continuava a gritar, posto que as suas vozes já não pudessem ser ouvidas pelos que iam em salvamento de Navarro.
Quando o vulto vinha a distancia de uma milha o contra-mestre exclamou, affirmando a vista:
—Ou eu me engano, ou o capitão não vem sósinho... esperem! é a Cigana que traz a reboque o patrão!...
Era a Cigana effectivamente. Quando o velho cahira ao mar, o animal atirara-se logo atrás, e mergulhando conseguira apertar nos dentes as roupas do capitão, e desde esse instante nunca mais o largára.
Quando os escaleres se aproximaram dos dous, a pobre Cigana estava quasi exhausta e sem forças.