A TIA IZABEL
Conhecia-a em casa de uma familia amiga da minha.
Affirmavam os que a tinham conhecido em menina, que fôra bonita; a mim parecia-me simplesmente sympathica.
Era alta, magra, loura e muito branca, uma physionomia serena e melancolica, sem muito relevo, mas com muita doçura.
Andava sempre vestida de escuro, com uma simplicidade em que transpareciam, porventura, vislumbres de antigas elegancias.
Ao olhar para ella conhecia-se que havia de ter gostado de certas puerilidades mundanas, de se vestir e pentear bem, por exemplo, de ser citada pelo esmero do seu gosto, e pela distincção finissima de suas maneiras.
Hoje todas as vaidades se tinham apagado; fizera quarenta annos, e acolhêra-os com resignação, com dignidade, com uma certa graça melancolica que lhe ficava muito bem.
Nenhum dos rapazes que frequentavam aquella casa se atrevia a chamar-lhe solteirona.
A solteirona é a mulher solteira que não sabe acceitar resignada as amarguras da sua isolação, e as converte em ridiculos quando as não converte em pessimas qualidades.