—Como poderam elles deixar isto sem saudade? É verdade que eu gostava de morrer lá, onde nasci, na minha pobre aldeia, ao pé de minha mãe... pensava o sr. Cerqueira.

E á hora do jantar, já não havia o conversar, e aquelle teimoso questionar que tanto alegrava os dois socios!

É que o sr. Cerqueira continuava a fallar comsigo e a passar uma a uma pelos dedos as contas do mystico rosario das suas saudades...


Uma tarde os socios de Cerqueira bateram-lhe á porta do quarto. Houve uma certa demora em se abrir essa porta. Insistiram. Cerqueira veio emfim saber o que era.

Entraram os dous e recuaram surprehendidos ante a mudança que observaram.

No meio do quarto estava uma grande mala escura cravejada de pregos amarellos; em cima do canapé esgarçado avultavam montes de roupa branca, e pequenas malas inglezas com fechos dourados e reluzentes. As gavetas da commoda estavam corridas, havia n'aquelle quarto em fim a apparencia d'uma casa saqueada...

—O que é isto, seu Cerqueira?

—É o que vocês estão vendo. Ámanhã é o dia da partida... Resolvi-me emfim...