—E eu que tinha apostado aqui com o seu Fernandes que você nunca se resolvia...
—Pois, meu amigo, perdeu a aposta, cortou o Cerqueira, sorvendo sybariticamente uma pitada.
Na manhã do dia seguinte, no tombadilho d'um dos vapores da Companhia do Pacifico, emquanto os dous socios do Cerqueira riam e diziam facecias, deitando com ares de casquilhos atabalhoados as lunetas a algumas francezas, que, com os seus vestidos de fazendas claras animavam alegremente aquelle conjunto de pessoas possuidas de tão estranhos e contradictorios sentimentos, o nosso viajante olhava com os olhos de quem se despede de um sitio amado para os armazens, para os trapiches que se retratavam nas aguas da bahia, para as torres das egrejas que se arrendavam nitidamente no claro céo azul.
Em Lisboa pouco se demorou.
No hotel, alguns amigos quizeram prendel-o ainda, tentando-o com o theatro lyrico, com Cintra e com as poucas fascinações baratas de Lisboa.
Cerqueira resistiu, e n'uma bella manhã, mettido em uma diligencia que partia de Braga, dirigiu-se para Ponte de Lima. Aqui alugando uma cavalgadura endireitou para a aldeia em que nascêra.
A meio caminho apeou-se, despediu o homem que o acompanhara, e deitando ao hombro uma pequena mala que trouxera, encaminhou-se para o seu lugar.
Seriam quando muito duas horas da tarde. O calor era grande. Pouca gente na estrada. Cerqueira parou a contemplar o quadro.
De um dos lados do caminho viam-se algumas raparigas com largos chapéos desabados e saias apanhadas segando herva, á compita, e misturando o seu canto ao metalico e monotono cantar das cigarras...