Estava riquissimo, mas queria que os filhos fossem ainda mais ricos do que elle.

Para isso andára a moirejar a vida inteira, por isso se sustentára de pão negro e de bacalhau durante os annos mais florentes da mocidade!

O seu mais intimo amigo, possuidor de um baronato, de avultada riqueza e de uma filha unica tão prendada como elle desejava as suas, fallou-lhe um dia disfarçamente, com certa labia, a respeito de Julião.

A meio entendedor meia palavra basta; d'ahi a quatro mezes o commendador dava uma pequena soirée intima, em que a menina Adriana, filha do sr. Barão de X, e chegada havia dias do Sacré Cœur, era apresentada ao seu futuro noivo, o Sr. Julião Gonçalves.

Estavam só pessoas de familia em casa do commendador.

Elle, a mulher, as duas filhas, o filho e Martha. Emquanto ao barão, viera simplesmente acompanhado pela filha.

Adriana era... o que d'alli a alguns annos haviam de ser as futuras cunhadas.

Tinha a mais umas tincturas de coquetterie parisiense, coquetterie mal ensaiada, mais collegial do que mundana.

Não se iguala nem se descreve o desdem com que ella cumprimentou Martha. Era uma vingança retrospectiva do que as suas proprias mestras lhe haviam feito passar.