Nos olhos azues de Martha passou um relampago de colera fugitiva, mas não disse nada. O que havia ella de dizer áquella gente, que a considerava um traste... bem pago?

Adriana, a quem cabiam as honras da noite, sentou-se ao piano e tocou.

Tocou as musicas de Martha, com a agilidade e com o brio de uma pianista experimentada.

Depois, levantando-se no meio de palmas e de bravos, indicou á mestra o lugar que deixára n'uma especie de altivo desafio.

É que uma das irmãs de Julião lhe dissera n'um risinho de malicia, que o irmão gostava muito de ouvir Martha.

A moça levantou-se com um gesto automatico, sentou-se ao piano e sem mesmo olhar para as musicas dispersas principiou a tocar.

Foi um adeus soluçante, cheio de lagrimas, onde a espaços passavam como brisas refrigerantes, umas vozes indizivelmente cariciosas!

Foi uma historia muito triste, que ainda ninguem tinha ouvido até alli, a historia de um coração despedaçado!

Como ella lhe havia querido, ao seu bello sonho desfeito, e com que dilacerante agonia lhe dizia para sempre adeus!

Na sala havia um silencio angustioso e profundo.