AS FILHAS DE VICTOR HUGO

Ha pouco tempo um escriptor francez desconhecido entre nós, o sr. Gustavo Rivet, publicou um livro intitulado Victor Hugo chez lui, no qual pinta o grande poeta francez, surprehendido, por assim dizer, na intimidade dos seus pensamentos, de seus gostos, das suas attitudes mais familiares.

Desce do pedestal onde a nossa phantasia se compraz em o collocar, o poeta da Lenda dos Seculos, e mostra-nol-o com a robe de chambre e os pantufos de qualquer honesto rentier do Marais.

Victor Hugo não perde em ser visto assim.

A sua alma amantissima, desnudada diante do nosso olhar corresponde positivamente a tudo que d'ella esperavamos.

O avô brincando no tapete do seu quarto de trabalho com a graciosa Joanninha que a Art d'être grand père immortalisou, não desmente de modo algum o justiceiro implacavel dos Châtiments.

Comtudo não é o pae de familia, que nós vamos hoje estudar em Victor Hugo, como o nosso titulo um tanto phantasista parece estar indicando.

As filhas de Victor Hugo, que nós tentaremos apresentar diante dos olhos das leitoras, não são as filhas do seu matrimonio de simples mortal, são as radiosas filhas do seu genio, as visões illuminadas que elle evocou com palavras de mysterioso encantamento d'esse Olympo inaccessivel onde vivem e nascem as creações immortaes dos grandes artistas.

Para nós que temos vivido da palavra do mestre, que temos seguido com enternecimento apaixonado todas as phases do seu espirito, essas mulheres ideaes é que são as suas verdadeiras filhas. Que nos importam as outras no fim de contas, se atravez d'estas é que elle se revelou tal como é?