Victor Hugo com a sua alma de forte, que não precisa de auxilio, e não precisa de guia, não comprehende a mulher como os modernos aspiram a encontral-a.
Não quer a companheira robusta d'esse athleta moral, que é o luctador de hoje; não quer a mulher de animo reflectido, de coragem viril, de consciencia illuminada e austera, que na hora do perigo ou na hora da vacilação criminosa, arrasta ao impulso da sua voz o espirito do homem esmorecido ou duvidoso.
Elle, cuja vida tem sido uma ascenção progressiva para o bem, elle, que não precisa d'outra bussola que não seja a luz interior que nunca se apaga nem bruxoleia, não teve necessidade de crear ao lado de Marius, ao lado de Didier, ao lado de Gennaro, ao lado dos seus altivos heroes, uma mulher forte que os auxiliasse e fortalecesse na grande lucta do bem!
Oh! não era de força que elles careciam.
Era de luz nas sombras do seu caminho sombrio!
Didier saberia resistir ás seducções da criminosa voluptuosidade; Hernani saberia responder ao sinistro som da trompa funeraria; Gennaro saberia confessar as suas indignações austeras e os seus odios inquebrantaveis; Marius saberia amar a honra impolluta como as virgens, brilhante como as espadas, implacavel como a eterna justiça.
Do que elles precisavam era de risos, de flôres, de caricias e de beijos.
Precisavam de quem os arrancasse á contemplação do seu deslumbramento ideal e lhes dissesse ao ouvido ternamente, melodiosamente: