—Olha! eu sou a graça, sou a poesia, sou o esquecimento, sou a embriaguez. Tenho só um nome, que vale por todos e a todos sobreleva: eu sou o amor!
E não são mais nada as mulheres creadas pelo genio portentoso de Hugo!
O amor, sempre o amor.
O amor egoista, o amor cego, o amor absorvente, exclusivo, com os seus pudores instinctivos, as suas ignorancias virginaes e as suas aspirações insaciadas a fatalidade irresistivel da sua força!
No seu primeiro drama, Hugo todo imbuido das ideias cavalleirescas do romanceiro, creou um typo de mulher que é talvez um dos mais bellos da sua formosa e radiante galeria.
Dona Sol sabe amar impetuosamente, ardentemente, e n'esse amor que é a nota predominante do seu caracter, encontra força para todas as resistencias viris.
Como ella é dôce e humilde enlaçada pelos braços valentes do seu senhor, do seu leão das montanhas, do seu principe bandido, do seu rebelde e indomavel cavalleiro!
Sorrisos, olhares, vozes, caricias, tudo é de velludo!
Um desejo d'elle, tem-na escrava! no entanto sabe por instincto, que elle o heroe, o forte lhe não póde pedir cousa alguma que a filha de um paladino das Hespanhas deva recusar envergonhada.
Quem dirá que aquella graça póde fazer-se indignação, que aquella flexibilidade ondeante póde transformar-se em revolta implacavel?