Leitora, estás cansada das chatas e incaracteristicas figuras que tens encontrado na vida real? Entristecem-te dolorosamente os typos hediondos ou repugnantes da moderna arte?

As Gervasias, as Bovarys, as Fannys, as peccadoras da França juvenil?

Pois bem, deixa que desfile por diante do teu olhar pensativo a gloriosa legião das filhas de Victor Hugo.

Oh! crê que não aprenderás com ellas cousa alguma que rebaixe o teu espirito, que fira o teu coração, que surprehenda cruelmente o teu entendimento.

Ellas sabem todas o que é o amor, muitas o que é o arrependimento, o remorso, a vergonha, a expiação; nenhuma sabe o que é o triumpho impudico do vicio, a ostentação criminosa das vaidades mundanas, a impenitencia immoral das que medram no meio do crime.

As peccadoras contar-te-hão a dolorosa historia das suas amarguras, as virgens a doçura sonhadora dos seus extasis!

Amaram, acreditaram, sentiram na plenitude do coração que a vida é boa, e que o paraiso póde encontrar-se n'um canto da terra.

Não sabem nada de toilettes, de pequenas intrigas, de namoros, de vicios mesquinhos, de invejas e de tagarelices; atravessaram o mundo com os olhos fitos n'outros olhos, com as mãos enlaçadas n'outras mãos, com a alma a cantar-lhes um hosanna de mysticos arroubos!

Se queres estudar os escaninhos caprichosos de um coração de mulher bonita e garrida, não as procures, mas tambem lhes não peças que te fallem nos nossos piedosos e obscuros deveres de todos os dias.