São as hallucinadas do amor! Arrastou-as uma tempestade para outras espheras ardentes onde se não vive a vida que conhecemos!
Vê tu—Esmeralda! que bem posto nome!
Toda ella scintilla ao sol como a pedra preciosa que lhe serviu de baptismo; os seus dedos de gitana crestados e finos arrancam ao pandeiro do seu paiz doidos e extranhos sons! Fascina com um olhar inconsciente dos seus olhos de velludo, com uma nota da sua voz crystallina, com um meneio do seu corpo de serpente.
Que sabe ella da vida? Nada; a não ser que a vida é bella, visto que ha dous olhos que ao fixar nos seus os banharam de fulgor!
E Cosette! vive ao pé d'ella um enygma sombrio! um espirito sobrehumano! um luctador d'estas luctas interiores cujo reflexo se estampa na frente que as encerra.
Ella nunca interrogou essa alma, e nunca tentou decifrar esse enygma, e nunca sequer comprehendeu a existencia d'essas luctas.
Ao seu companheiro triste, humilde, heroico, adoravel ella deve durante quinze annos a ventura mais perfeita que póde gosar-se na terra.
Satisfez-lhe todos os desejos; todos os brinquedos d'aquella fada, encarregou-se de os fornecer a natureza na liberdade plena, nos seus idyllios primaveris! Estava na escuridão, e deram-lhe luz; era escrava fizeram-n'a rainha.
Não importa! Marius appareceu e Cosette louca, deslumbrada, esquecida, deixa morrer de dôr o amigo da sua risonha mocidade.